O investimento em detalhe

O detalhe do investimento por setor institucional mostra que o aumento do peso da FBCF no PIB de 1995 a 2000 se deveu sobretudo à subida nas Sociedades não Financeiras, numa fase ainda marcada pela descida das taxas de juro no acesso à Área Euro.
A partir de 2000, a tendência de descida abrangeu todos os setores, tendo sido particularmente acentuada nas Administrações Públicas durante o PAEF.
Em 2016, os rácios da FBCF no PIB eram de 9.6% nas Sociedades não Financeiras (ligeiramente acima do valor de 1995, mas abaixo dos 13.7% registados em 2000), 3.2% nas Famílias e ISFLSF (após 8.4% em 1995 e 9.1% em 2000), 1.6% nas Administrações Públicas (4.4% e 4.6%, respetivamente) e 0.3% nas Sociedades Financeiras (1.0% e 0.6%).
Embora o peso da FBCF tenha voltado a cair em 2016 (para 14.8%, após 15.3% em
2015), a descida foi já pouco pronunciada e os dados do quarto trimestre foram marcados por uma recuperação (para um rácio de 15.2%), a refletir sobretudo a melhoria nas Administrações Públicas (para 2.2%).

Figura 8 – FBCF por setor institucional a preços correntes (% do PIB).

Segundo dados do Banco de Portugal (seguindo o princípio direcional), a posição de
investimento direto líquido melhorou de forma quase ininterrupta entre 2008 e
2016 (com exceção de 2011, em que se verificou um recuo), passando de 30.7 para 59.2mil M€, uma evolução que refletiu uma subida mais forte da posição de investimento direto estrangeiro (que apenas registou um recuo em 2011), IDE, do que da posição de investimento direto de Portugal no exterior, IPE, ao longo do período de análise.

Por países, a maior posição de IDE em Portugal no final de 2016 pertencia à Holanda, seguida de Espanha, Luxemburgo, Reino Unido e França, considerando apenas os valores acima de cinco mil M€.

No caso do IPE, a maior posição nacional no final de 2016 foi registada na Holanda,
seguindo-se Espanha, Angola, Brasil, Luxemburgo e Itália, para valores acima de 1500 M€.

Certo é que a nova vaga tecnológica coloca desafios a todos e não só ao tecido empresarial. Tais desafios configuram riscos mas também significativas oportunidades.
É um difícil caminho que temos que percorrer, com enormes exigências, mas que não deixa de estar ao nosso alcance. O tecido empresarial português saberá, como noutras ocasiões já o demonstrou, superar mais este desafio, capaz de acompanhar as mudanças, substituindo os produtos e serviços atuais por novos, com
uma mais plena satisfação por parte dos clientes e utilizadores.

A estrutura do vAB alterou-se de forma significativa entre 1995 e 2016, tendo-se
observado uma redução do peso do Setor Primário e do Setor Secundário em favor
do Setor Terciário, onde se verificaram ganhos de peso nos principais ramos, sobretudo na Atividade Financeira, Seguradora e Imobiliária.
Note-se, contudo, que à perda de importância relativa da Indústria é necessário ter em conta, pelo menos em parte, a crescente externalização de serviços que anteriormente estavam, sobretudo, refletidos no VAB do ramo industrial, de que é exemplo a logística.
A especialização e desenvolvimento desses serviços a preços competitivos e com qualidade são cruciais para o aumento do valor acrescentado, da produtividade e da competitividade da Indústria em sentido lato que, sendo um setor transacionável por excelência
(fortemente exposto à concorrência internacional), é determinante para a conquista qualificada dos mercados externos, o saldo externo e, por essa via, para o crescimento sustentável do país.
Não é, por isso, de admirar que as políticas de reindustrialização tenham entrado nos últimos anos na agenda nacional e europeia.
Mas, “reindustrializar” não pode, nem deve, significar voltar ao passado. A reindustrialização não pode estar desligada dos inúmeros fatores e agentes de mudança que vivemos atualmente e de outros que perspetivamos que venham a ocorrer a uma velocidade sem precedentes.
Depois da 1ª revolução industrial – com o surgimento da máquina a vapor, da 2ª revolução – com a eletricidade, e da 3ª revolução – com a eletrónica e robótica, temos pela frente a 4ª revolução industrial – a chamada Indústria 4.0 -, onde a convergência entre o físico, o digital e o biológico irá alterar radicalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos.
Para além da rápida velocidade, outra caraterística desta nova etapa da revolução industrial é, seguramente, a sua escala e impacto. Estudos recentes mostram que, inevitavelmente, a 4ª revolução industrial não se efetuará sem perturbações, apontando-se que o enorme potencial disruptivo se fará sentir com grande intensidade no mercado de trabalho, estimando-se uma perda significativa de postos de trabalho.
Porém, paralelamente, com a era da digitalização industrial, é de perspetivar o desenvolvimento de novos modelos de negócio – que seguramente atuarão em segmentos de maior valor acrescentado, conferindo por essa via ganhos significativos de competitividade, recolocando a Indústria (e os serviços direta e indiretamente relacionados) numa posição muito relevante em termos da estrutura económica do país e do seu contributo para a geração de riqueza e emprego.
No que se refere ao setor primário, apesar de representar atualmente uma fatia reduzida do VAB (cerca de 2.3%), continuamos a presenciar vários sinais que traduzem inequivocamente uma maior afirmação deste setor e que estarão já a produzir alguma inflexão da trajetória descendente (notando-se já, nos anos mais recentes, uma travagem na descida do peso no VAB).

Esta “nova trajetória” estará certamente associada, entre outros fatores, à existência de novos players no mercado – sobretudo jovens agricultores, com outra preparação e formação –, a uma mais estreita ligação com o sistema científico e tecnológico, e à melhoria significativa da qualidade e aumento do valor acrescentado dos produtos. Para além do elevado impacto em termos de valorização dos recursos endógenos, de
ocupação e ordenamento dos territórios, da proteção do ambiente, da conservação da biodiversidade, entre outros, o setor primário constitui ainda uma importante base para outros setores de atividade, mormente da indústria agroalimentar, onde Portugal tem vindo a registar uma forte notoriedade, dentro e fora de portas.

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