A matriz Input-Output

O INE publicou, no final de 2016, informação sobre “matrizes Simétricas de Input-
Output” para a economia portuguesa referentes a 2013 (os últimos dados, relativos
a 2008, haviam sido produzidos pelo extinto Departamento de Prospetiva e Planeamento).
Esta informação permite, nomeadamente, simular os efeitos de choques na procura final sobre a economia nacional sob as assunções do Modelo de Leontief, que é uma representação simplificada da realidade, aconselhando a alguma prudência na interpretação dos resultados.

A Tabela seguinte apresenta, segundo o INE, os impactos sobre o PIB e as impor-
tações de um aumento de 100 unidades monetárias nas principais componentes
da procura final.
• “Na despesa de consumo final das famílias (Consumo Privado), por cada 100 unida-
des adicionais consumidas, o PIB aumenta 74 unidades e as importações 26 unidades, das quais, 13 unidades de bens e serviços para consumo final direto das famílias e 13
unidades destinadas a integrarem o próprio processo produtivo interno;
• Na despesa do Consumo Final das Administrações Públicas é pouco expressivo o
conteúdo importado, refletindo a natureza indireta da medição do consumo de bens e serviços públicos, baseada fundamentalmente nos custos incorridos pelas Administra-

1Entre os quais a utilização de coeficientes técnicos constantes, capacidade produtiva ilimitada, a inexistência de economias de escala, a ausência de variação de preços relativos e de efeitos de substituição, produtos homogéneos e a não consideração de restrições financeiras.

Contratações Públicas (onde avultam os encargos com remunerações) para providenciar estes bens e serviços;
• No Investimento (FBCF), a variação de 100 unidades conduz a um aumento de 67
unidades no PIB e de 33 unidades nas importações (20 em importações diretas e 13
indiretas);
• Finalmente, a variação de 100 unidades das Exportações conduz a um aumento do
PIB em 55 unidades e ao maior impacto nas importações: 45 unidades, das quais 41
indiretas.”

Assim, embora à primeira vista estes dados apontem para um impacto mais forte do
consumo (público e privado) no PIB comparativamente aos impactos do investimento e das exportações, dado o maior conteúdo importado destas duas componentes, é preciso analisar esses dados com cautela à luz de vários fatores, nomeadamente os pressupostos do modelo e a forma de medição do consumo público (indireta).
O próprio INE dá disso conta, ao referir, por exemplo, que “estes efeitos seriam naturalmente diferentes se, em lugar do crescimento uniforme das componentes de cada agregado da procura final, se assumissem variações diversas.
Por exemplo, se o aumento de 100 unidades monetárias nas exportações ocorresse exclusivamente nos serviços de alojamento e restauração, o PIB e as importações aumentariam, respetivamente, em 86 e 14 unidades.
Se o mesmo aumento se verificasse nas exportações de produtos refinados do petróleo, o acréscimo no PIB seria apenas de 6 unidades e nas importações o acréscimo seria de 94 unidades”.
Chamamos ainda a atenção que estamos perante uma análise estática (de relação entre as variáveis na matriz de empregos e recursos dos vários setores), pelo que os impactos de longo prazo (de ordem superior) das variáveis poderão conduzir a resultados um pouco diferentes dentro deste modelo ou se fossem enquadrados noutro modelo.

AEP – Associação Empresarial de Portugal

Por exemplo, na literatura do crescimento económico (de longo prazo) é reconhecida uma grande importância ao comércio internacional – em particular para uma pequena economia aberta como a portuguesa – não só porque as exportações (de bens e de serviços) promovem a competitividade e a produtividade dos países, mas também devido ao efeito positivo das importações de elevado conteúdo tecnológico para o crescimento das economias, ao potenciarem um aumento da produtividade e um efeito progressivo de imitação indutor de
maior progresso técnico, sobretudo para economias menos avançadas.

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